- Oi. Por qual insano motivo você saiu no meio da noite da cama?
- Eu queria te deixar com mais espaço, e além do mais... estava calor, é. - Tá, eu não sei mentir.
- E eu queria dormir ao seu lado.
O que? Jared queria dormir comigo? Ah tá.
Ele me dá a mão, e faz um sinal com a cabeça para eu me levantar. Abri a janela, estava amanhecendo ainda. Era ótimo ver o sol novamente, - ainda mais pra quem, como eu, passou a noite imaginando aquele lobo dos infernos, argh. O sol estava lindo, a grama estava molhada, e não haviam nuvens no céu. Os raios de sol iam aparecendo conforme, aparentemente impossível, as montanhas além de mim iam se afastando. Abrindo espaço para um degradê amarelo e branco. Era lindo. Era perfeito. Era maravilhoso. O vento soprava contra mim, movendo meus cabelos vermelhos além do rosto. O vento fazia mágica. Pássaros voando sobre o céu, flores brotando. Que indescritível. Apenas magia...
- Tem alguém aí que eu não estou enxergando? - Jared aparece subitamente, me fazendo pular de susto.
- Ahn? Alguém ali fora? Como assim?
- Amy, se liga. Faz quase meia hora que você está olhando pra fora. Dã, eu não sou idiota, hmf.
- Não, não tem ninguém. Só estou vendo o sol. - Ah, era verdade mesmo.
Tipo, ele me olha com uma cara de "Ah tá.". Ele ama ironia, droga.²
O sofá mofado e velho em que eu havia dormido estava empoeirado. E mais um dia, como se não houvesse começado, se passou. Era noite, - uma linda noite afinal. A Lua estava cheia e cintilava no céu, uau. Onde eu estava? Onde diabos estávamos?
Não faço a mínima ideia. Apenas sei, estou num lugar onde não há fome, não há guerras, não há ódio, não há fogo, não há morte. E num lugar onde existe amor. Um amor crítico, fragmentado, indiscutível, imperceptível e perfeito.
Era uma noite linda. Ouviam-se grilos e cigarras, berrando ao som da ventania. E claro, Jared estava atrás de mim, deitado na cama sem camisa. UAU!
- Que droga que tem aí além dessa janela? Você olhou pra ela o dia inteiro, sua besta. - Pois é, me apaixonei pela Lua.
- Ah, você ainda está acordado.
- Estou esperando você. E hoje você não escapa de mim, safada! - EU sou safada? Ah tá.
- Já tô indo. Esperaí, estou vendo os esquilinhos ali, na árvore. - Ou eram esquilos, ou ratos. É.
Ele levanta da cama num abdominal, somente, e vem atrás de mim. Me abraça. Suas mãos estavam quentes, macias. - Aonde será que existe por perto daqui, uma farmácia que vende hidrantante? Meu Deus.
- O que é isso ali? - Ele me pergunta, com aquela voz assustada, novamente.
- Aquilo o que?
- Aquela coisa se mechen...
Jared pára. Jared congela. Seus olhos, de verdes, passam à vermelhos. Seus músculos - enormes, por sinal. - se contraem. Sua respiração se torna mais cega. Sua face se enfurece. Ele é possuído por alguma coisa estranha, MUITO estranha.
- JARED! MEU DEUS. O que aconteceu?
* respiração pesada, e forçada. *
- Aquilo... voltou. - Ele cochichou, quase para si mesmo.
- Aquilo... voltou. - Ele cochichou, quase para si mesmo.
Eu decido, impulsionalmente, olhar pela janela. Não consigo ver nada, procuro por alguma coisa por ali...
E enquanto isso, Jay estava ali, se auto-flagelando por algum espírito demoníaco por aí.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Jared! O que é aquilo? AAAAAH!
Realmente, eu levei um susto como nunca antes houvera levado. Eu caí para trás, bem no abdomen sarado dele, com uns 5 ou 6 gominhos. Eu esperava cair sobre ele, porém ele saiu da frente, como se eu fosse algo que ele odiasse profundamente, me levando a bater a cabeça com tudo no chão.
O que era aquilo, meu Deus? Eu decido olhar de novo para aquela criatura dos infernos. Tá, eu vou tentar descrever. Era uma pelagem branca, um rugido agressivo, um par de olhos vermelhos como o sangue. Aquela coisa estava se aproximando da casa. Aquilo tinha dentes, de sua boca estava saindo algo vermelho e nojento. Seus pelos estavam sujos de terra. De repente, Jared sussurra:
- Saia... daqui... AGORA.
- Por que? Se aquele bicho está vindo, ele deve querer comer nós dois, não somente você. - Ah vá, é mesmo?
- Não vou nem te falar quem vai te comer tá... - É, ele está voltando ao normal. - Agora saia daqui Amy. Ou você quer que eu te tire a força?
- Tente.
No mesmo segundo, aquela coisa pula na janela, interrompendo o meu diálogo com Jared. Eu vejo alguma coisa brilhando, e não, não era a Lua. Algo próximo ao peito de Jared, e brilhava muito. Era um verde muito claro, quase branco. Era tão forte quanto um raio. Peraí, era um raio. Mas, ...
Era aquele desenho bizarro em forma de cruz. CARAMBA! O que era aquilo? IMPOSSÍVEL.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARW. - Tipo aquelas vozes usadas em filminhos inúteis, similar à monstros, é. Jared estava falando, gritando, uivando, miando - enfim.
Com um olhar assassino, o lobo partiu para cima de mim. Sangue pingava de seus dentes, seus olhos estavam vermelhos e enfurecidos, igualzinhos aos de Jay. Espera aí, tinha algo brilhando na pata daquele animal, ou demônio, porque né.
Aquilo veio pra cima de mim, me jogando contra a parede. Jared chega atrás daquilo lá, e geme MUITO alto.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAUMF. DEIXA... ELA... A-G-O-R-A!
Awn, que fofo. Mesmo "encapetado" ainda me defende. Funcionou. Aquilo lá parte pra cima dele, subindo nos seus ombros. Sua boca estava aberta, seus dentes à postos, como se fossem morder seu braço. Aquele animal era ágil. No mesmo segundo abocanhou o braço esquerdo do MEU Jay.
Eu não podia ficar ali parada, vendo tudo aquilo. Eu tinha certeza que na bermuda dele, havia um canivete. Dei o primeiro passo, tentando parecer imóvel para aquela coisa lá.
Havia uma poça de sangue no chão, e eu escorreguei. Coloquei, como num impulso nervoso, o braço na frente da cara. Caí bem em cima do canivete, ele raspou meu braço. Começaram a cair gotas de sangue, mas não importava. Eu abri o canivete, e voltei para o quarto correndo.
Subi na cama, e joguei o canivete encima daquela coisa nojenta que estava comendo o meu quase-praticamente-namorado. Felizmente, ela raspou sob a mesma pata em que eu houvera visto uma coisa verde brilhante, semelhante à de Jared.
O QUÊ? COMO PODE SER? Era uma tatto de um RAIO em forma de CRUZ. Impossível. Eu não estava vendo aquilo. Não, não mesmo! Quer dizer que... não quer dizer nada! O cara está morrendo ensanguentado, e eu arrumando explicações.
O canivete, graças à Deus, feriu-o. Ele, como num susto, caiu de cima do Jared. Ele, no mesmo segundo, pega aquele pedacinho de metal, agora ensanguentado, e o crava no peito do lobo dos infernos. Ele geme, depois - aparenta - morre. Ele dá, espero, sua última respiração; e apaga.
Aquele desenho brilhante - que era verde - no peito de Jay, se torna vermelho. Mas um vermelho que ainda brilhava, que ainda ofuscava minha vista.
Jared respira fundo, fecha os olhos, e se esfrega pela parede, até cair no chão.
Eu sento ao seu lado, com tentativa de tentar acalmá-lo.
- Não toque! - Jared grita.
- Por quê não posso?
- Amy, você não está entendendo. Se você tocá-la, você pode morrer. Eu acabei de usá-la como resistência. Ela está repondo minhas energias, está sugando tudo ao seu redor, ao MEU favor. Ela queima. Ela envenena. Se você tocá-la, se enfraquecerá até morrer. Não toque, por favor.
- Não toque! - Jared grita.
- Por quê não posso?
- Amy, você não está entendendo. Se você tocá-la, você pode morrer. Eu acabei de usá-la como resistência. Ela está repondo minhas energias, está sugando tudo ao seu redor, ao MEU favor. Ela queima. Ela envenena. Se você tocá-la, se enfraquecerá até morrer. Não toque, por favor.
* silêncio *
- Ah, e se você tocar, eu também morro. Ela é minha vida, supostamente. - A voz de Jared se tornou triste e deprimente.
Eu tento esquecer, fingindo deixar pra lá. Ele pega minha mão, e acaricia-a. E diz bem baixinho, ao meu ouvido:
- Você iria nos matar, sabia?
- Você me perdoa?
- Você me perdoa?
- O que você fez de mais, Amy? Você salvou a minha vida.
- Eu simplesmente nasci.
Jared, com suas mãos aveludadas, segura minha cintura; e com o mais suave tom, repete:
- Eu te amo.
- Eu tamb...
Não consegui terminar, - também não consegui respirar; Jared colou seu rosto ao meu, e beijou-me profundamente. Me beijou como se o mundo estivesse acabando. - E o pior que estava mesmo.
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