- Obrigada.
Ele segura minha mão, e diz, com sua voz mais fofa e angelical:
- Não se agradeça. Se eu estou aqui, é porque temos que ficar juntos.
E beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem juntos, afinal! Ah, estou delirando.
Tento agradecê-lo com um sorriso meigo.
Jared encosta suas mãos na maçaneta, e gira-a com cuidado. Só se ouve um "nhéeee" medonho, e a porta, misteriosamente, se abre sozinha. Ele pega minha mão esquerda, e com seu braço, envolve-o na minha cintura - como se estivesse tentando me proteger. - claro, com certeza... Naquela casinha abandonada no meio do nada vai ter um monstro, ou um sequestrador... não é?
Sem lógica, nem sentido algum; havia um copo de água em cima da mesa - só porque eu estava MORTA de sede, uau.
- Ali tem uma cadeira, Amy. Sente-se lá, que eu vou tirar a blusa e já estou indo.
- OK. Também estou com calor... - MENTIRA!
- OK. Também estou com calor... - MENTIRA!
- Calor? Não, não mesmo. Eu só queria me sentir mais a vontade, essa blusa aperta.
WOW.
- Mas, ela é larga Jay...
- E, por acaso, você acreditou nos meus inúteis motivos? - Ele pisca pra mim, e levanta a blusa.
MEU DEUS DO CÉU. O que foi aquilo? Não, não é isso que vocês estão pensando... O que foi aquilo? Uma tattoo muito louca, em forma de... um raio em forma de cruz. Mas, como assim? O que significa isso? Nossa, co...
- Amy? Pra onde você está olhando? Está tudo bem com você?
- O-oi. Eu?
- Não, eu gata. - Ele ama ironia, droga.
- Aaaaah, eu estou, refletindo. Pensando só...
- Posso saber no que?
- Ah, nada não. O-o que é isso aí, perto do seu peito? - Curiosidade mata, né?
- Ah, você viu né? Olha, é meio difícil de explicar sabe? É assim - ele para, olha pra mim e dá um mero sorriso, e olha para o desenho em seu corpo - Quando eu era criança, como eu já disse; eu, meus irmãos e meu pai viemos acampar naquela floresta ali atrás, cuja eu te apontei. - ah é, a escuridão. Uhul - Era a segunda noite, fomos acampar por lá mesmo. Meu pai tinha feito uma barraca, e meus irmãos uma fogueira. Eu fui procurar comida, por ser o mais velho, fui sozinho. Passei horas e mais horas caçando comida...
Enquanto isso, eu fazia uma cara de : "continua"...
- Até que eu encontrei um lobo, e... - ele começou a chorar, CHORAR! - Ele veio pra cima de mim. Eu peguei minha faca, que levava comigo no bolso, e furei os olhos do monstro. Mas, grande besteira... Ele partiu pra cima de mim com suas garras saltadas pra fora, e furou meu rosto. Sangrou. Muito...
Tá, eu mudei minha cara pra : " TADIIIIIIIIIIINHO DO MEU BEBEZINHO, AWN ". Trágico.
- E eu usei, a idiota tática, de fingir de morto. Isso não adiantou muito, por um momento ele parou, me encarou nos olhos e retornou um passo. Ele bufou. O maldito animal ficou me olhando por um longo tempo, mas eu tive que respirar. Para quê? Eu devia morrer por falta de ar, ao invés de viver o que acontecera em seguida.
- Agora você está vivo aqui ao meu lado. Continue, por favor. - Tentando ajudar, mas... não deu muito resultado.
Ele veio se sentar ao meu lado, pegou minha mão e disse:
- Toque.
Eu disse:
- Continue.
Ele respira fundo, e continua, obedencendo-me... :
- Após o momento em que respirei novamente, ele avançou sobre mim. Eu estava com os braços ao redor do corpo, mas, subitamente levantei-os para cobrir o rosto. Antes perder a bunda do que os olhos...
Tá, eu ri.
- OK. O animal dos infernos abriu sua boca, cuja estava ensanguentada com o MEU sangue, e abocanhou meu pé. Eu fiz a maior força possível para uma pessoa só... Tentando, sem sucesso, jogá-lo para longe. Que nada, ele veio pra cima de mim, e mordeu meu peito.
*silêncio assustador*
- E, eu vi o fim. Fechei os olhos, esperei ansioso para conhecer o além. Eu esperava que Deus tivesse misericórdia de mim, e... Enfim. Mas não. Não foi nada disso. Eu acordei no dia seguinte, no mesmo lugar, coberto por sangue seco sobre mim, e mosquitos ao redor do meu corpo.
- NOSSA, QUE HORROR! - Eu estava realmente impressionada.
- É. Porém, 2 dias depois. Depois de muita dor e sofrimento, ali estava. Um raio em forma de cruz no meu peito. Estranho.
Caramba! Eu queria tanto abraçar ele, poder agarrar aqueles ombros largos... Agradecer mentalmente por ter ele ao meu lado, agradecer pelas palavras que ele pudera dizer, agradecer por ele. Como eu queria agarrá-lo. Aquele momento, nada mais. Vontade. Rawr.
- Cara, eu perdi muito tempo na minha vida. Me abrace, por favor? Só te peço isso, Amy.
- Não precisa nem pedir.
- Eu te amo, Amy.
- Eu te amo mais que tudo, Jared.
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