Haviam se passado 3 noites naquela casinha miserável. Eu estava cansada, com fome, irritada. O que houvera acontecido noite passada mexeu muito comigo. - andei pensando a noite inteira, mal fechei os olhos... Como Jay poderia ter segredos como aquele? Será que ele fazia ideia de que ele tinha alguma coisa sobrenatural? Ele é normal? Olhei para a cama, Jared ainda estava dormindo. Tinha um rolo de papel toalha na cozinha, e por ali ontem eu também tinha visto uma caneta...
Jay, eu não consegui pegar no sono. Saí para dar uma volta, estou por perto. Não se preocupe. Beijos.
Pego uma das poucas coisas que levei comigo, e abri a porta lentamente, procurando fazer o menor barulho possível. Estava frio. São nestas horas que eu mais preciso de um abraço. - enfim - O sol ainda não tinha nascido, estava nublado o tempo, ainda.
Começou a ventar muito, folhas e folhas secas voando ao meu redor. Era assustador, o barulho do vento soprando sobre os galhos era horrendo. Medo. Solidão.
Olhei para trás, havia andado até que bastante.
De repente tudo ficou escuro, uma tempestade havia se formado sobre a minha cabeça. Tentei ignorá-la, mesmo com trovões e raios pairando sobre mim. Havia, lá na frente, uma plantação coberta, como se fosse uma casinha de madeira com paredes de vidro, refletindo minha imagem em 360º - uau, parei. Cheguei mais perto, aparentemente não havia ninguém lá dentro. Comecei a rodear o ambiente, procurando a entrada. Não era tão grande assim, mas eu só precisava de um abrigo, e urgente!
Achei a porta, e graças a Deus, estava aberta. Entrei, e senti, automaticamente, um cheiro forte de veneno no ar. Estava, realmente, tudo fechado. Haviam alguns vasos apodrecidos lá dentro, mas nada demais. O cheiro era forte demais, meu nariz começou a coçar. Deixei pra lá, eu PRECISAVA ficar lá até o temporal passar um pouco, para poder voltar para casa. "Casa". É.
Olhei para cima, o céu estava preto. Se viam, de longe, feiches fortes de luz caindo do céu, ouviam-se estrondos barulhos, fazendo até o chão tremer. Era tenso. Eu estava ficando sem ar, o cheiro de veneno era muito forte. Pensei em abrir a porta, mas não ia dar muito certo.
"Créeeeeec".
Meu Deus. Barulho de vidro quebrando. Olhei pelo vidro, estavam chovendo pedras de granizo. Gelo puro. Virei para trás, e o vidro havia rachado. Estava se segurando ao máximo para não se espatifar em cima de mim. Eu TINHA de sair correndo de lá. Pensei em sair pela porta, mas a chuva estava caindo bem naquela direção. Haviam pedras trincando o vidro toda hora. Desespero. Olhei ao meu redor, havia um pedaço de raiz podre e cheia de musco, nojenta! Pensei muito bem antes de pegá-la nas mãos, mas.. tudo bem vai. Peguei-a, e a taquei com a maior força que eu consegui sobre o vidro da parede oposta à da porta.
Fracasso, o vidro só trincou. Eu não tinha para onde ir. Estava ficando sem ar, o cheiro de veneno me intoxicava; e o medo me maltratava. Eu não tinha escolha.
- Meu Deus! Socorro! Ajuda... Alguém! Pelo amor de Deus. AAAAH!
Minha tentativa fail de pedir socorro para o nada só me fez soluçar mais. Sentei no meio da casinha, coloquei as mãos ao redor do rosto, e esperei. Droga, um vidro havia me cortado. Foi no pulso.
Comecei a gemer de dor, mas de que adiantou? Virei-me para o outro lado...
Mas não por muito tempo. Eu já temia isso. A parede atrás de mim, a primeira a ser trincada, fora finalmente quebrada. Granizo, pedaços de vidro, água gelada... voando em volta de mim. Prendi a respiração o máximo que pude. No mesmo instante, um vidro raspou sob meu pescoço. Havia cortado, estava sangrando demais. Doía.
Desisti, abri a porta e saí correndo - e sangrando - que nem uma louca em busca de proteção. A "nossa casa" estava muito distante, e a chuva estava vindo na minha direção. O vento estava me empurrando para frente. Eu não poderia desistir. Eu tinha de salvar a minha vida, contar isso aos meus filhos e netos. Eu tinha que sobreviver.
Por que diabos chovia tanto assim?
Saí berrando e correndo sem rumo algum, e havia algo no chão. Eu mal percebi, tentei pular. Tropecei. Caí. Meu sangue escorria pelo braço e pelas costas, o que me gelava mais ainda a espinha.
Respirei fundo. Logo em frente, havia uma árvore. Tudo bem que árvores atraem raios, mas, me dê uma opção melhor naquele momento...
Subi na árvore, ela era alta e com galhos fortes, que - graças a Deus - eram fortes o suficiente para me aguentar. Segurei um galho, porém ele quebrou ao meio.
Caí com tudo no chão. Meu corpo estremeceu.
Tentei subir novamente. Encaixei meu pé num daqueles - talvez - buraquinhos de esquilinho que nem nos desenhos da Disney. Olhei para cima, procurando algum refúgio nos buraquinhos - e que, não tenham esquilos - eu vejo, uma mão estendida para mim. Assim, do nada.
Minha expressão ficou totalmente confusa, não gostaria que me apresentassem um espelho naquela hora.
A mão avançou mais um pouco pra perto de mim. Que escolha eu tinha? Se fosse um cara mal intencionado, eu já morria por agressão sexual logo.
Impulsionalmente, eu seguro a mão daquela pessoa.
- Quer ajuda?
- Quem é você? - ah claro, sou muito educada. Meu Deus, que vergonha...
- Você acredita em anjos?
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