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domingo, 19 de dezembro de 2010

A dream. - Parte 5

  Havia esquecido de tudo, acho que bati a cabeça. Hora que abri os olhos, estava sendo levada nos braços de alguém cujo rosto não se definia.
Parecia moreno, mas hora que o Sol batia sobre nós, seu cabelo se clareava completamente. Seus olhos eram cinzas, escuros. Não conseguia ver direito seu rosto. Mas, enfim.
  Olhei para suas mãos. Ele tinha unhas grandes e afiadas, como de um vampiro ou coisa assim. Estranho.
   - Como você conseguiu desmaiar naquela árvore? Aliás, você bateu a cabeça em algum lugar? Querida, seu cabelo está horrendo!
   ... Tá. O que foi isso?
   - Peraí, quem é você? - ou o que seria aquilo, né.
   Ele (será?) havia parado debaixo de uma árvore, e uma folha caiu sobre meu nariz.
   - Ainda está ventando muito.
   - Aquela chuva passou? - perguntei.
No mesmo instante, ele me colocou de pé no chão.
   - Olhe você mesma.
   Havia um arco-íris bem à minha frente. A cor que mais aparecia era o laranja. Estava anoitecendo, era lindo. Era perfeito, algo que eu nunca houvera visto assim, de tão perto.
   - Vamos até lá buscar um pote de ouro? - perguntei, ironicamente.
   - Você não precisa de ouro, já tem a mim.
MEU DEUS! Que anjo o Senhor foi me arrumar, não? Poxa vida.
   Ele, ou aquela coisa, - sei lá o que - pegou a minha mão, e saiu andando comigo pelo jardim totalmente devastado pela chuva. De vem em quando ele me olhava nos olhos, e piscava. Ora ele me pegava olhando para seu rosto, na tentativa de entender o que ele era. Ora eu pegava ele olhando para trás.
Eu estava com meu all star roxo e amarelo, uma blusa preta - agora toda suja de terra e lama, eca. - escrito Metallica, e uma calça jeans básica.
   - Podemos parar um pouco? Acho que entrou uma pedra no meu tênis. - perguntei.
   - Claro. Ali na frente é a minha casa.
Alguém morava no meio daquele lugar estranho? Uau.
   Foi chegando mais perto, havia algodão no chão. Tinha flores brancas no chão.
Realmente, aquele lugar era bizarro.
   - Feche os olhos, querida.
   - Por que? - ué.
   - Você não pode saber onde eu moro. - ele respondeu, e depois o ouvi cochichar par si mesmo. " - Nossa, há quanto tempo será que ela não passa corretivo? Gente. "
   Tá, retiro o que eu disse. Ele não é ele. É metrossexual, ou coisa do tipo, só pode.

   Ouvi um ranger de uma porta. Ele colocou a mão no meu rosto, impedindo-me de ver qualquer mísera coisa.
   - Vem, por aqui.
Apenas andei, tentei andar, na sua velocidade. Ele parecia estar com pressa. - Droga! - Eu lembrei que precisava trocar o absorvente. Jesus!
   - Preciso sentar... - engoli - Aliás, qual o seu nome, afinal?
   - Ele soltou minha mão, e me empurrou de leve para baixo.
   - Meu nome é Drake, Amy.
Como ele sabia meu nome? Aliás, o banco onde ele me colocou era tão macio quanto algodão doce, era confortabilíssimo.
Ele abriu meus olhos, quando ele tirou a sua mão - claro, e eu vi. Era tudo colorido, meu Deus. Olhei para o chão, aliás, qual chão mesmo? Eu estava sobre mais daquele troço macio.
   - Onde estamos?
   - Onde mais? No arco-íris.
SEM COMENTÁRIOS. TÁ, PARA TUDO. Desde quando alguém mora num arco-íris?
   Enfim, passei um bom tempo lá. Drake, apesar de semi-gay era legal. Ele me mostrou a casa, me explicou o porque não podia ver o caminho... ele falou que tinha algo a ver com umas escadas que subiam até o céu, e que humanos não poderiam ver. Eu tenho um amigo-anjo-afeminado. Uau.
   - Gostou?
   - É, gostei. Mas eu preciso voltar para casa. - se é que eu podia chamar de casa - eu deixei meu namorado lá, bem antes da chuva começar. Acho que ele deve estar maluco. - respondi, de imediato.
   - Hm, você namora? - ele perguntou com uma cara de, tipo, "que mundo estranho".
   - Sim. Mas, isso não vem ao caso. Você pode me acompanhar até lá, já que está acostumado? - se pode se dizer possível se acostumar à um lugar como este.
   - Claro, vamos lá. - ele foi meio obscuro, mas deu para sentir um pouco de genuidade no seu tom de voz.
Ele colocou sua mão na minha cintura, bem perto da bunda mesmo. - Legal, ele é o que? - E começamos a andar rápido, praticamente correndo.
   Chegamos na metade do caminho, aonde havia aquela ex-casinha de plantação de alguma planta venenosa, ou algo assim. Fui explicando para Drake o que tinha acontecido e tal.
Tinha pedaços de galhos no chão, como sempre, eu tinha que tropeçar em um. Mas Drake foi ágil o bastante para me segurar antes de cair de cara no chão novamente.
   Pois é, Drake não chegava nem aos pés de Jared - Ah, só seu nome me fez delirar de saudade e angústia por não tê-lo ao meu lado, ao invés de um estranho-sem-sexo-definido ali.

   O vento soprava muito forte ainda. Era estranho, pois o céu estava limpo e colorido - é.
Drake também estava estranho, ele soltou minha mão do nada, e começou a se afastar. Eu fiquei parada, olhando para a cara dele, tipo, o que você tá fazendo, seu anormal?
   Ele tinha sentado no chão, eu cheguei mais perto, seus olhos estavam se revirando. Seu olhar me assustou, e eu dei um gritinho daqueles bem de menininhas, e o vácuo fez questão de me assustar mandando o eco.
   - Drake, tá tudo bem?
Ele não respondeu para mim especificamente, mas para...
   - Solta minha mão, inferno! Solta!
Tá, eu achei que era mais um daqueles ataques epiléticos e saí andando. Olhei para trás, Drake ainda estava sentado no mesmo lugar, gritando pro nada. Eu o chamei de novo, dessa vez ele obedeceu. Veio como um cachorrinho, se rastejando e gritando até mim.
   Eu peguei sua mão, para ajudá-lo a levantar.
   - Drake, está tudo bem?
Ele não falou nada, apenas se levantou e olhou nos meus olhos. Puxou seu pulso machucado de minhas mãos, e saiu gemendo.
   - Sei lá, deve estar. - respondeu, fugindo de mim.
Ele realmente era estranho, e eu realmente não estava me sentindo bem.
   Ele olhou nos meus olhos, e me abraçou. Depois pegou minhas mãos, para falar alguma coisa. Mas...
Senti algo gelado, meio melado também, saindo do seu pulso. Era sangue. No mesmo momento, meu coração começou a acelerar. Senti um desejo extremamente incontrolável de sentir seu gosto. O sangue, era brilhante. O cheiro de sangue me fazia arrepiar.
   Havíamos chegado perto de casa. Ele me deu um sorriso e pegou minha mão. Beijou-a lentamente como nos filmes de amor. Eu estava delirando pelo cheiro do sangue, isso não era normal. Eu puxei meu braço e saí correndo para dentro de casa, fugindo de toda essa situação.
   Entrei em casa pela janela, tentando fazer o mínimo barulho possível.
Meu bilhete estava sobre a cama, com uma letra bizarra e quase ilegível, escrito:
   Fui te procurar, logo mais estou aí.
    Assin: Jay. 10:45h



   Olhei no relógio, eram 18:17h
Ah, claro. Eu tinha desejo por sangue e meu namorado havia sumido. O dia realmente estava péssimo.

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